Archive for the 'Histórias de Família' category

Quando as fotografias permitem reencontros

Fotografia é um negócio muito legal. Dentre todas as coisas interessantes, acho incrível a possibilidade de eternizar informações, fatos e experiências através de imagens.

Olhando a coleção de fotografias da minha avó, de quando minha família vivia na Iugoslávia, na Áustria, de quando chegaram no Brasil, tudo isso abre uma janela para a imaginação. É através dessas imagens que eu tenho a possibilidade de conhecer, por exemplo, a casa em que nasceu meu pai. Uma construção que hoje, possivelmente, já nem existe mais. E esse conhecimento, de certa forma, colabora para a construção de uma identidade.

Mais interessante ainda é quando esses registros são jogados na Internet e surgem, então, novas possibilidades. Há um tempo, através da fotografia abaixo, fui contatada por um primo de segundo grau da Alemanha, de cuja existência eu nem sabia.

Irmão do Opa

Este homem à direita, na imagem, é irmão do meu avó, junto a sua esposa e filho. Michael Lickel entrou em contato comigo dizendo que tinha esta mesma fotografia em casa e que o garoto na imagem era seu pai. A ligação é muito próxima: meu pai é primo do pai de Michael. Continue reading

Brotknödel ou bolota de pão

O Brotknödel (ou brot-quinêdel) é para mim o “prato da alma”, segundo diria um amigo. É aquela comida reconfortante: não importa onde você esteja, ela o faz se sentir em casa. Knödel, na culinária germânica, se refere a qualquer tipo de bolinho. Conheço pelo menos três variações: Dampfknödel (knödel no vapor), Leberknödel (knödel de fígado de frango) e o Brotknödel (knödel de pão), possivelmente o mais popular. Talvez você o conheça de algum restaurante alemão, servido junto ao molho do Paprika Schnitzel.

Gosto de receitas que usam sobras de alimentos. O brotknödel pode ser uma saída muito simples para acabar com o pão velho e seco. Até por isso, vocês irão notar que a receita é um pouco vaga, mas na verdade, isto não compromete o resultado. A idéia é justamente usar condimentos que já estão em casa.

Minha mãe costuma preparar e servir junto a um caldo de legumes ou sopa, incrementada com batata e cenoura. Minha variação preferida, no entanto, era a dica da Oma (a sobra da sobra): knödels amanhecidos, cortados em fatias e passados na frigideira. Ficam com uma irresistível casquinha crocante e massinha cremosa por dentro.

Brotknödel

Brotknödel (para 4 pessoas) Continue reading

Fred

Talvez alguns de vocês já saibam que minha tia Aline, autora deste blog, tem certos momentos de loucura, como quando cortou o cabelo radicalmentem ou me chamou para ser dama de seu casamento. Ou ainda quando decidiu pular de para-quedas e me dar seus gatos e suas roupas legais. Está bem, posso ter acrescentado alguns itens não tão verídicos, mas até que não seriam má idéia esses últimos três. Mas isso não vem ao caso, o que vem é que ela, num desses momentos de loucura, me chamou para escrever no seu blog como convidada de férias. Então aqui vou eu! Mazipan, meu apelido de infância, prestes a fazer 14 anos. Peço a vocês que apreciem e gostem dos meus textos e crônicas, e se não gostarem, que os critiquem para que possa fazê-los cada vez melhor. Então é isso. E a minha primeira postagem será “Fred”, uma história que aconteceu de verdade, que queria compartilhar com vocês!

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Retratos e histórias da família Lickel

Ontem aconteceu o churrasco anual de família, que meu tio tem organizado em sua casa. Desde que a oma faleceu, em Outubro do ano passado, estas pequenas reuniões têm trazido excelentes doses de saudades e recordações.

Recentemente, este meu tio, Johann Lickel (irmão de meu pai), também muito curioso e sempre em busca de informações sobre nossa história, chegou em meu blog. Contente por ver que as pesquisas que ele outrora fizera estavam organizadas, publicadas e atraindo pessoas que vivenciaram histórias semelhantes, ele passou a nos incentivar ainda mais. Ontem, além de poder conversar mais uma vez com todos os irmãos de meu pai, o tio Johann nos presenteou com um poster do brasão de nosso sobrenome; ganhei também um livro sobre Entre Rios, a colônia no Paraná fundada pelos iugoslavos de Kapetanovo e Hrastovac e pude, ainda, ficar com algumas fotos para digitalizar, que já estão organizadas no Flickr.

Não vou demorar-me a recontar toda a história, mas eles saíram da Iugoslávia durante a perseguição do ditador comunista Tito, refugiaram-se na Áustria e vieram para o Brasil em 1952. Tenho dois artigos publicados que contam com mais detalhes esta saga: Registros da minha origem e Registros da família Lickel.

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Achei e é austríaco de verdade!

Se tem algo que todo mundo adora confundir é austríaco com alemão. Na verdade, nem se trata de uma confusão, apenas coloca-se tudo no mesmo saco – num saco de batatas, de preferência -, escreve na etiqueta ALEMÃO e está resolvido. É quase como confundir japonês com chinês: não é a mesma coisa, mas parece, estão ali no mesmo miolo geográfico, pra que complicar?

Por um tempo, eu me irritava e insistia: “descendente de austríaco, não de alemão”. Depois desta fase, passei apenas a incluir: “sim, sou descendente de alemão, na verdade, de austríaco”, inclusão ignorada pela grande maioria. Alguns chegavam a perguntar: “que legal, e você conhece a Austrália?”. Hoje, digo que tenho origem germânica e pronto.

São Paulo é famosa por seu vasto oferecimento gastronômico. Se tem algo que se faz bem nesta cidade é comer. Por muito tempo, estive em busca de um restaurante austríaco, mas tudo o que encontrava era Bier & Bier, Jucalemão e alguns outros, que são bons restaurantes alemães, mas não austríacos. Sim, muitas comidas são iguais ou pelo menos muito parecidas, tem cerveja, apfelstrudel, tudo isso, porém não são austríacos, oras. Continue reading