Artigo

Santiago, Chile – 31/01/2007 – 1° Dia

No dia 30/01/2007, casados há 3 dias, enfim, preparamos nossas coisas rumo à “luna de miel”. Destino escolhido: Patagônia chilena e argentina.Passamos a madrugada, até as 3h da manhã, arrumando nossas malas, que pareciam nunca ter fim. Uma viagem de 25 dias nos esperava e sempre a dúvida: o que devo levar? Às 4h levantamos apressados e às 5h10 estávamos saindo rumo ao aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

Check-in, declaração de câmera e ipod, café com pão de queijo, tudo pronto para partir. Já na sala de embarque, notamos que tínhamos esquecido um dos memory sticks da digital. Lá se foram 512Mb, agora, só nos restam 2.25Gb. Mas tudo bem, dizem que a Patagônia nem é tão bonita assim que mereça tantas fotos.

Esperamos quase dormindo na sala de embarque e, de repente, olhamos ao redor e não havia mais ninguém por perto. Uma dica sutil de que talvez o portão tivesse mudado. Dito e feito!

Vôo tranqüilo pela TAM. Estávamos exaustos e cansados, afinal, a noite tinha sido longa. Ainda assim, nos seguramos para não perder a vista da chegada em Santiago através da janelinha do avião: uma paisagem magnífica da cordilheira dos Andes. Quilómetros e quilómetros de montanhas marrons, grandes e cobertas de neve.

Andes Mountain Range

Cordilheira dos Andes.

12h40 chegamos em Santiago no horário local (- 1 hora). Saímos do aeroporto e fomos recebidos por um chileno muito simpático e comunicativo, impressionado por encontrar brasileiros que não gostavam de futebol e voleibol. Rapidamente, nos convenceu a pegar um taxi por 10.000 pesos até o Bellavista hostel, onde tínhamos uma reserva.

O albergue era diferente, muito jovem e cheio de vida. Me senti no CA da FFLCH. Antes mesmo de entrarmos no nosso quarto, fomos à sala de internet enviar e-mails para a família. Depois, subimos e colocamos nossas roupas molhadas para secar (sim, fizemos as malas às pressas).

O quarto era digno de lua de mel: paredes laranjas, cama grande com armação de metal e uma luminária com cúpula azul, além de uma varanda simpática com vista para a rua calma e tranqüila do delicioso bairro Bella Vista, uma espécie de Vila Madalena de Santiago. O banheiro do albergue era compartilhado, mas nada que um chinelo havaiana não resolvesse. Como disse o rbp, “se é para ser cafofo, que pelo menos seja estiloso!”

Almoçamos tarde, 15h40, em um restaurante chamado El Toro, perto do hostel. Eu pedi um Pastel de Jaiba e o Rodrigo, um Camarón Pil Pil. O primeiro parecia uma massa de casca de siri, feita de carangueijo, com queijo. Delicioso! O segundo era um ensopado de camarão em azeite. Bom também! Cada prato custou 5.600 pesos. No restaurante, ouvimos ainda “Yo Viviré” (I’ll survive), em homenagem a sogra Stela e a Ângela.

Nosso plano era chegar de alguma forma a Punta Arenas e depois a Puerto Natales, no sul do Chile, região da Patagônia. Saímos do restaurante e pegamos o metrô para a Estación Central para pesquisar horários de trens para Puerto Montt (de onde pretendíamos pegar um vôo para Punta Arenas). Era o início de uma epopéia.

Descobrimos que o trem só iria até Chillán (ou até Concepción, através de uma conexão de ônibus, mas isso já seria fora do nosso caminho). Como parecia haver lugares o bastante no trem para o dia seguinte, não nos preocupamos em comprar logo as passagens e fomos descobrir como fazer a travessia Chillán (ou Concepción) para Puerto Montt. Fomos ao guichê de ônibus da TurBus, uma das empresas que fazia esse trecho, mas o rapaz nos informou que poderíamos pegar vôos com escala em Concepción até Puerto Montt da Sky. Aparentemente, tínhamos dois trechos prontos (só faltava comprá-los). Prudentemente, resolvemos ir ao centro para pesquisar e comprar as passagens aéreas primeiro, antes de providenciar as de trem.

O escritório da Lanchile estava para fechar (e o da Sky ainda atendia por 1 hora), então, fomos lá primeiro. Para nossa surpresa, todos os vôos de Concepción a Punta Arenas faziam escala em Santiago, duravam mais de 7 horas e estavam caríssimos. Nem a atendente conseguia explicar porque o vôo saia de Concepción, ia ao norte para Santiago e depois ao extremo sul rumo a Punta Arenas. Até que entendeu que não existia este vôo, então, o sistema gerava uma única possibilidade, fazer dois vôos mesmo (Concepción-Santiago e depois Santiago-Punta Arenas). Para nós que estaríamos saindo de Santiago a Concepción de trem, não fazia o menor sentido voltar a Santiago para ir a Punta Arenas. E cada passagem Santiago-Punta Arenas custava 350 dólares.

Insatisfeitos, fomos à Sky. Quando dissemos que queríamos ir a Punta Arenas no dia seguinte ou depois, o atendente quase riu: “solamente 6 de marzo”. Cáspita!

Bom, avião não era uma opção. O Lonely Planet (guia que usamos em toda a viagem) falava de algumas companhias de ônibus que faziam trajetos de Puerto Montt a Punta Arenas, como sabíamos da empresa de ônibus que fazia o trecho Chillán-Puerto Montt, esta parecia ser uma alternativa viável. Mas só tínhamos os telefones de Puerto Montt das empresas. Lá vamos nós gastar um monte de moedas em ligações interurbanas cujas respostas foram alternadamente “No hay passages hasta (dia aleatório) de marzo” ou “No vamos a Punta Arenas”. A propósito, Santiago ainda não adotou os telefones públicos a cartão. Deve ser só para se gabarem de terem uma moeda forte o bastante e não precisarem de fichas.

A estas alturas, estávamos começando a planejar uma estada prolongada em Santiago e uma ida prematura a Buenos Aires, já que nossas passagens de volta ao Brasil eram Buenos Aires-São Paulo em 24/02/2007. Mas, é claro, a última tentativa é a que dá certo. Conseguimos ligar para uma companhia e eles não só faziam o trecho, como também tinham passagens para agora! Entretanto, o processo de compra via telefone ou internet era complicado, implicava depositar o valor na conta da empresa, então, deixamos para comprar chegando em Puerto Montt mesmo, ainda que arriscando passar uns dias por lá.

Voltamos à Estación Cetral, já íntimos do metrô. O que não foi difícil, porque ele é muito parecido com o de São Paulo, um pouco mais limpo e organizado. Eles têm preços diferenciados para horários de pico e bilhetes múltiplos (que foram abolidos aqui). Há alguns carros mais modernos e espaçosos. Mas fora isso, olhávamos a volta e esperávamos ouvir “Estação Clínicas”. Ou “Estação da Luz”, que é onde você se sentia saindo do metrô para a Estación Central (que na verdade, é menor e menos bonita). Enfim, compramos passagens de trem até Chillán (1a. classe, por sugestão da minha sogra, já que não era tão mais caro) e de ônibus de Chillán até Puerto Montt com a TurBus.

Nossa idéia original era passar pelo menos dois dias em Santiago. Mas com essa confusão de passagens, preferimos não arriscar e compramos para o dia seguinte.

Na volta da Estación, como às 20h30 ainda estávamos em pleno dia, fomos visitar o Palacio La Moneda, sem as suas marcas de fuzil de canhão. Caminhando pelas ruas no meio da cidade, ficamos maravilhados com a vista ao fundo: os Andes! Como pode?!

Exaustos de um dia tão comprido e sem termos dormido na noite anterior, voltamos para o Albergue e vimos o entardecer de Santiago andando pela deliciosa e colorida Bella Vista. Neste bairro, as ruas são todas iluminadas com luz amarela, as casas lembram um pouco Paraty, pois não têm varanda na frente, apenas a porta de entrada grande e algumas janelonas para a rua. O bairro é muito boêmio, cheio de bares agradáveis com mesas nas calçadas e muito movimento.

Bellavista

Bellavista.

Bellavista

Bellavista à noite.

Chegando na pousada, fomos organizar nossas coisas, escolher para quem mandar os primeiros postais, enviar notícias por email etc. Na recepção, encontramos um brasileiro publicitário, Cido, que estava morando há 7 meses em Buenos Aires para aprender espanhol e se aventurou a viajar pelo Chile. Recebemos muitas dicas de Bs. As. (Buenos Aires).

Santiago

Centro de Santiago, muito parecido com São Paulo.

Depois de banho tomado e já morrendo de fome, fomos passear e procurar a tão sonhada empanada. Encontramos na Rua Pio Nono. A empanada era boa, mas não muito. Escolhi uma vegetariana e o Rodrigo, uma de carne e outra de queijo. Era frita e muito oleosa, ainda prefiro as do El Guatón, em São Paulo. Voltamos para o hotel e capotamos, finalmente…

  • Recomendamos:

Bellvista Hostel em Santiago – barato, descontraído, organizado e muito limpo. O banheiro é compartilhado, mas como disse, é limpo.

– Restaurante El Toro

– Metrotrem EFE

  • Não recomendamos:

Empresa de ônibus TurBus – de forma geral, o serviço de ônibus no Chile é muito ruim. Mas este foi particularmente pior: 10 horas de viagem de Chillán a Puerto Montt, poltronas muito apertadas, calor insuportável, janelas todas fechadas e sem ar condicionado.

>> próximo dia

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Comentários (8 comentários)

Marta, como você leu no post, passamos muito rapidamente por Santiago. Mas recomendo uma caminhada pelo bairro Bella Vista, do hostel. À noite é um lugar muito boêmio, cheio de bares e restaurantes com pessoas sentadas nas calçadas, comendo e bebendo.

Dois passeios que eu gostaria muito de ter feito, mas que não conseguimos por falta de tempo foram: o Cerro de San Cristóbal e a casa de Pablo Neruda, o poeta.

A subida ao Cerro é feita de teleférico e no topo tem uma vista panorâmica muito bonita da cidade de Santiago, encravada nas montanhas.
A casa de Pablo Neruda fica num bairro próximo ao Bella Vista e também muito bonito e agradável. Fomos à pé do hostel. A casa do Poeta (conhecida também como La Chascona) é hoje um museu aberto à visitação. Passamos em frente, mas não entramos (estávamos a caminho da Estación Central, para pegar o trem e seguir viagem). As fotos que vi, porém, me deixaram com vontade de voltar.

Além desses passeios, é legal visitar a Plaza de Armas, rodeada por construções históricas muito bonitas, e o Palacio de La Moneda, que é sede da presidência da república no Chile e que fora bombardeado após a morte do presidente Salvador Allende, durante o golpe militar de 1973.

Se forem de avião, não deixem de observar pela janelinha a chegada a Santiago. É linda a vista da cordilheira :-)

Se quiserem ver, temos mais fotos de Santiago no Flickr: http://www.flickr.com/photos/alickel/sets/72157603908599246/

Obrigada pela visita e comentários e boa viagem! Mandem um feedback quando voltarem :-)

alickel / June 19th, 2009, 3:09 pm / #

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