Apagão Aéreo
Na última sexta-feira, meu cunhado e sua namorada viriam de Brasília a São Paulo para o casamento do meu outro cunhado… e adivinha o que aconteceu? Eles estavam já na sala de embarque quando foram notificados de que não poderiam voar. Todos os aeroportos do país estavam parados e nenhum avião decolaria a partir de então.
Depois de mais de 6 horas de paralisação dos controladores de vôo, as coisas começaram a funcionar novamente. Naquele ritmo lento, como já estamos quase acostumados há mais de 5 meses.
Hoje, segundo o Reuters Brasil, será um dia de decisões: “os sargentos reúnem-se nessa terça com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, sob o impacto da decisão do Ministério Público Militar de abrir inquérito sobre o motim de sexta, considerado um grave crime militar.”
Já estou vendo tudo. Lá vamos nós continuar nesta crise aérea por tempo indeterminado.
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não quer ceder aos sargentos nada além do que já fez para que voltassem ao trabalho depois de mais de seis horas de paralisação, disse uma fonte do Palácio do Planalto.” Além disso, argumenta que “teve de ceder às exigências dos sargentos, numa situação descrita como ‘de chantagem’ (…), mas que agora pretende enquadrá-los como servidores responsáveis por serviço essencial, sejam civis ou militares”. No domingo, em entrevista ao programa de rádio “Café com o presidente”, Lula cobrou a “irresponsabilidade de pessoas que têm funções que são consideradas essenciais.”
Mas isso é óbvio, sr. presidente. Que eles têm funções essenciais, todo mundo já percebeu. E como pretende cobrar a irresponsabilidade dos controladores? Ameaçando-os de demissão ou de prisão por crime militar. De duas, uma: ou eles continuarão a fazer paralisações e a tornar cada vez mais caótico o transito aéreo, ou serão presos mesmo e aí é que ninguém mais irá voar neste país.
Claro que o que fizeram foi chantagem. É assim que a política funciona, mas parece que o sr. presidente ainda não teve tempo para aprender o jogo da politicagem, só conseguiu aprender a fazer corrupção e um discurso de obviedades. Pequenas ameaças, nesta situação, de nada adiantarão. Está mais do que claro que nesta história, os controladores é que estão com o “controle” da situação (Hã, hã?). Basta que continuem a fazer o que estão fazendo até então.
E agora, tudo indica que vão abrir a CPI do apagão aéreo para apurar os últimos acontecimentos e garantir a ordem nacional (lá lá lá). E nós continuaremos a viver o caos no céu.
Enquanto isso, até os barcos estão se rebelando no Rio de Janeiro. Começa com um acidente, depois outro e logo teremos também o apagão marítimo. Este é mais um abril vermelho.
Quem dera se tivéssemos aqui o trem V150 da Alstom. Quem sabe meu cunhado e sua namorada não teriam perdido o casamento em São Paulo…
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Enquanto escrevo este post, o inesperado (ironia) aconteceu: “a mudança na postura do governo colocou em xeque a situação dos aeroportos no feriado da Semana Santa. Os controladores decidiram entrar em estado de greve.“ (midiamaxnews)





Projeto CyberShark

Comentários (4 comentários)
Dizem que a tal Alstom tá pensando em colocar um trem desses entre São Paulo e Rio de Janeiro.
(Quanto ao resto do post, there are no comments so far.)
Badá / April 6th, 2007, 10:36 pm / #
Entao jah comecou a contagem regressiva para o apagao ferroviario…
Alias, porque agora tudo eh “apagao”??
rbp / April 7th, 2007, 10:16 am / #
Boa pergunta. Alguém achou que seria interessante comparar a crise do setor aéreo com a crise energética e pronto, já se consolidou o termo.
Certo seria chamar de “a queda do setor aéreo”. Muito mais sugestivo, não? Ou, simplesmente, de “queda aérea”.
alickel / April 7th, 2007, 10:23 am / #
Muito mais morbido, isso sim! Deveria ser algo como…. como… esquecimento do setor aereo, dormencia aeronautica, “era do gelo”, idade da pedra ou algo assim. Mas concordo que esse tal de “apagao” ta sobrando. Esta tudo aceso, uai!
Sarah / April 7th, 2007, 11:30 pm / #
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