Artigo

Fotografia e Geometria: representação de estruturas arquitetônicas

Pensará você, o que faz uma geógrafa se interessar por assuntos relacionados à fotografia e arquitetura? Estes três vértices da ciência e da arte combinam-se perfeitamente e relevam mais harmonia do que aparentam num primeiro momento.

A fotografia é, antes de mais nada, um instrumento de representação, que pode ser a do espaço, e demonstra um olhar, uma nova visão desta espacialidade. Fotografar arquitetura é buscar nuances e detalhes e, assim, idealizar um espaço diferente, construído pela própria representação da realidade. E o espaço está na geografia, de modo que é possível combinar estas três áreas em um mesmo assunto.

A fotografia na arquitetura inicia o seu papel com a função de ilustrar catálogos com objetos arquitetônicos. “Porém, nestes últimos anos, muitos artistas voltaram seu olhar para a arquitetura, dando visibilidade, no trabalho fotográfico, a detalhes, perspectivas, signos e as qualidades latentes, luzes e reflexos que às vezes tornam irreconhecível o espaço do qual haviam partido” (Chiara Bertola, 2004).

É assim que este gênero vai ganhando notoriedade e fotógrafos como o casal alemão Bernd e Hilla Becher, na década de 1970, ou contemporâneos, como Nelson Kon, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU – Universidade de São Paulo), têm seu trabalho reconhecido.

Uma característica muito peculiar destas fotografias, e também a que mais me atrai, é a valorização das formas. Gosto de imagens geométricas, linhas e curvas contrastados com a luz e a sombra.

© ali ckel
Monumento da chama eterna

Rampa próximo ao monumento da Chama Eterna, Brasília.

As linhas da rampa vão subindo e se fechando, trazendo a noção de profundidade.

© ali ckel
Teto do Museu Nacional

Teto do Museu Nacional, Brasília.

As curvas do teto sombreado à esquerda emolduram a foto e realçam o círculo no centro.

© ali ckel
Arco do Museu Nacional

Arco do Museu Nacional, Brasília.

© ali ckel
Museu Nacional de Brasília

Museu Nacional, Brasília.

Brincadeira com o claro e o escuro, separados por uma linha no centro.

© ali ckel
Entrada da Catedral de Brasília

Entrada da Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, Brasília.

Com uma máquina fotográfica manual, é possível regular a entrada de luz, de modo que se obtenha este efeito. Gosto da luz vazando pelas arestas inferior e esquerda do retângulo em contraste com o negro do resto da foto.

Todas as obras fotografadas são do arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer. Não há, entretanto, nenhuma predileção especial às obras deste arquiteto, ainda que sejam bonitas. Apenas eram as únicas imagens disponíveis para publicação que eu possuía.

Outros sites selecionados:

Comentários (0 comentários)

Não há comentários neste artigo até o momento.

Deixe aqui seu comentário