Artigo

Catherapy

O título deste post parece até daquelas histórias de um casal que resolve adotar um bicho de estimação para saber se tem ou não o dom para ter filhos. Não é bem este o caso, mas a verdade é que tive uma boa experiência com gatos.

Sempre gostei de felinos. Não sentia nenhum amor infinito por eles, entretanto, o maior problema não era gostar ou desgostar do bicho, mas sim controlar o zelo excessivo que eu tinha pela casa.

Bichos, assim como crianças, estragam coisas, deixam a casa bagunçada e dão trabalho. Gatos, em particular, afiam suas unhas no sofá e deixam pêlo por todo canto. Como querer uma coisa assim? Como querer uma coisa assim quando você é o tipo de pessoa que vê sua visita colocando o copo sobre a mesa de madeira sem o devido porta-copo e começa a ficar aflita? Quando só pelo fato de ter uma leve manchinha de dedo no vidro, você corre para limpar com um pano e álcool? Quando uma minúscula marca de poeira na parede faz você levantar do conforto do sofá para limpá-la antes que te enlouqueça?

Existia um certo impulso exagerado, fora do comum, que emanava de mim. Eu não gostava de limpar – não gosto, aliás, odeio -, mas a sujeira e a bagunça me incomodavam muito mais do que o fato de ter de arrumar.

Quando comecei a morar com o Rodrigo, eu era capaz de acordar às 8h30 da manhã de sábado, num dia lindo e ensolarado, para “dar um jeito na casa”. Juro! Eu era louca! Isso deve ter durado uns 6 meses (espero, sinceramente, que não tenha passado disso – seria muito tempo perdido).

As pessoas me falavam, me alertavam que aquilo não podia ser normal, mas eu não controlava.

Certa vez, recebemos em nossa casa um casal de gatos de uns amigos, que ficaram com a gente por uma semana enquanto seus donos faziam mudança. Foi a experiência que mudou o conceito do lar. Comprei uma capa para o sofá e passei aquela semana aprendendo a conviver com seres peludos e de unhas afiadas.

Num dia cinza e nublado, eles foram embora. Ao contrário do que esperava, senti falta. Senti muita falta. Todas as vezes em que chegava em casa e abria a porta de entrada, tomava cuidado para não esbarrar em nenhum felino. Mas para minha tristeza, eles não estavam mais lá. Ficava deprimida ao acordar e não ter nenhum bicho sedento por carinho esperando do lado de fora do quarto.

Assim foi por alguns meses, até que decidimos trazer para casa Gandalf e Malu. Eles vieram ainda bebês e, rapidamente, aprenderam a gostar de carinho e de viver com gente. Mimados aos extremos (como diz a Bartira, “não, eu não mimo meus gatos”), eles tomaram conta da casa e de tudo o que ali estava.

A capa do sofá não resistiu. O sofá em seguida também pereceu. O Gandalf adotou a cadeira como sua cama oficial, não importando quem estivesse ali sentado. A Malu gostou da rede, tanto para dormir quanto para arranhar. É uma gatinha versátil. Os dois são muito generosos e dividem, entre si, os três puffs da casa. Quase já não existe mais espaço “desfelinizado”, exceto nossa suíte, devidamente trancada à chave. Se deixá-la apenas encostada, eles pulam na maçaneta, abrem e entram.

Foi uma mudança radical. A casa passou de um lar impecável, onde ninguém podia viver e morar, para um lar normal. Hoje em dia tem sujeira, pêlo espalhado pelo chão, brinquedinhos jogados nos cantos, tela na varanda e lençol em cima do sofá. A casa ganhou novos integrantes, mas não perdeu sua personalidade. Continua arrumada, mas só quando é possível e realmente necessário.

Consegui relaxar e hoje, quando acordo aos sábados às 8h30 da manhã num dia enrolarado e bonito, não importa quanta louça suja tenha na pia, não importa se camisetas usadas estão espalhadas pelos 7 cômodos da casa, eu pego um livro e vou ler na varanda acompanhada dos dois felinos na rede.

© ali ckel
Gandalf

Gandalf

© ali ckel
Malu

MaluCat

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