Artigo

Carrefour e a seção de feira: orgânicos e outras decepções

Nos preparando para mais uma orgia gastronômica (repito: gastronômica) na companhia de dois grandes amigos, Rodrigo e eu fomos ao Carrefour Villa Lobos comprar os ingredientes faltantes de nossas receitas.

Como todas as grandes empresas hoje, o Carrefour também faz uma intensa apologia ao desenvolvimento sustentável, preservação do meio-ambiente, responsabilidade social e mais um monte de termos socialmente corretos que estamos acostumados a ouvir no dia-a-dia.

Chegando na seção de feira do hipermercado, fui em direção à prateleira onde estava escrito em letras garrafais: ORGÂNICOS. Comecei a escolher as maçãs que usaria no Crumble, quando me dei conta de que ao meu lado estavam produtos que eu conhecia e sabia que não eram orgânicos. Comecei a verificar as embalagens das maçãs, dos legumes que lá estavam e nenhum, absolutamente nenhum, possuia o certificado de produto orgânico.

Vegetais Orgânicos

Qualquer produto que não contenha o certificado legal de produção sem uso de agrotóxico não pode ser vendido como orgânico. É para isso que servem as instituições que certificam este tipo de produção e uma lei que proíbe a venda de produtos não-orgânicos como orgânicos. No site Planeta Orgânico, há uma lista das instituições que fornecem este certificado.

Confusa, fui perguntar a funcionária quais daqueles produtos eram orgânicos. Ela informou que apenas as frutas não eram. Dupla indignação: pois as maçãs estavam exatamente embaixo de um enorme letreiro dizendo ORGÂNICOS, ou seja, elas tinham de ser orgânicas ou o mercado estava cometendo um crime de enganação ao cliente; além disso, ao contrário do que dissera a funcionária, as demais verduras e legumes que lá estavam não eram orgânicos também. Alguns possuiam na embalagem uma etiqueta dizendo “produto natural”, “alimento higienizado” etc, mas isto não significa ser orgânico. Aliás, o que diabos significa uma etiqueta numa alface dizendo “produto natural”?

Com este modismo sócio-saudável-natureba, somos constantemente enganados. Este foi só mais um exemplo. Já havia publicado neste blog o caso do filtro de café Melitta.

Para completar nosso passeio frustrante ao hipermercado, enquanto o Rodrigo escolhia algumas folhas em outra prateleira, já convencidos de que não compraríamos nada orgânico, um cliente que estava por perto falou ao funcionário do mercado: “avise ele”, referindo-se ao Rodrigo. O funcionário informou que estavam retirando todos os produtos daquela prateleira e que não deveríamos pegar nada. Naturalmente, o Rodrigo fez uma típica “cara de ué”. O cliente, então, sussurrou esclarecendo: “acabou de passar um rato por aqui”.

Trash? Absolutamente nojento!

Deixamos nossas compras e fomos a outro mercado. Encontramos, dos produtos que queríamos, 85% orgânicos e fizemos nosso jantar felizes e contentes. Aliás, nosso risotto de limão ficou ótimo :-)

Comentários (4 comentários)

Deixe aqui seu comentário