Artigo

Maré vermelha

Desde criança, já somos notificadas do fato de que um dia “ficaremos mocinha”. Parece até que é motivo de orgulho, mas depois que a coisa vem é que percebemos o fardo a que fomos designadas.

Eu sei que a modernidade colabora a nosso favor. Pelo menos, e aí dou graças a deus, não preciso (e nunca precisei) lavar fraldas sujas. Imaginem, depois de adulta, usar fraldas e ter de lavá-las (Ugh!). Já reclamo porque preciso usar absorventes e é tudo muito nojento.

Quando criança, eu odiava receber visita porque isso significava não entrar na água: piscina, praia etc. Era terrível. E como toda criança, era na água que eu queria ficar brincando. Pior eram as soluções: enquanto todos iam se divertir, tinha de ficar sentada na cadeira de praia de shortinho. E claro, além de tudo, não rola chamar a atenção dos garotos neste estado. Como adolescente sofre.

Eu sei que existe absorvente interno, mas você não vai fazer uma criança usá-lo. Sei lá, minha mãe e minhas irmãs não sugeriram…

Hoje em dia as coisas estão mais fáceis, mas continuo odiando receber visita. Ficamos adultas e aprendemos a lidar melhor com as situações. Absorvente interno passa a ser a palavra chave para momentos peculiares: academia, natação, fim de semana na chácara, praia e por aí vai. É ótimo!

Mas ainda assim, os constrangimentos são muitos. Usar banheiro público neste período não é legal. E as cólicas? Horas se contorcendo de dor em cima da cama. Já inventaram bons remédios, eles funcionam, mas não à curtíssimo prazo e aquilo dói para dedéu enquanto não passa…

É nessas horas que eu lembro daquela frase do South Park (eu acho), que o Rodrigo sempre repete: “Não confio em nada que sangre por sete dias seguidos e continue vivo.”

PS.: Sorry pela sutileza do título.