Mercado Municipal Paulistano
Mercado Municipal Paulistano foi construído, no começo do século XX, próximo ao Rio Tamanduateí, uma importante rede de fluxo comercial daquele período. Era às margens deste rio que as mercadorias chegavam do interior de São Paulo ou do litoral. Produtos importantos eram recebidos no porto de Santos e depois trazidos para a capital paulista.
Esta região irá se tornar, aos poucos, um grande centro de comércio. Reflexo deste período temos, ainda hoje, o intenso fluxo de atividade comercial da 25 de Março.
Diante da necessidade da oligarquia cafeera de demonstrar seu poderio frente a primeira crise que enfrentava na década de 1920 e ao início do crescimento industrial da cidade de São Paulo, conseguiram com que fosse aprovado, em 1924, o projeto de construção de um ostentoso mercado para recebimento e distribuição de mercadorias, principalmente da produção agrícola.
A empresa contratada para realização do projeto arquitetônico foi a Ramos de Azevedo, do arquiteto português Francisco de Paulo Ramos de Azevedo. A equipe, na época, contava com italianos, franceses, alemães etc, assim, prevalece no Mercadão um estilo arquitetônico eclético, com referências góticas, clássicas etc.
Os vitrais, que têm como tema “a vida no campo” e são, portanto, uma importante referência do período rural no Brasil, foram obra do artista russo Conrado Sorgericht Filho. Seu trabalho pode ser visto também na Catedral da Sé e em outras centenas de igrejas brasileiras. O material utilizado nos vitrais foi importado da Alemanha.
Em 1932 estava pronta a construção do Mercadão numa área de 12.600 m². Entretanto, sua inaguração teve de ser adiada por conta da Revolução Constitucionalista do mesmo ano. Somente após uma reforma – reforma esta realizada antes mesmo que fosse aberto ao público – para reconstituir vitrais e outras partes que teriam sido abaladas por tiros durante a revolução, o Mercado Municipal Paulistano é finalmente inaugurado em 1933. Neste período, São Paulo contava com uma população de 1 milhão de habitantes.
Na década de 1960, com o crescimento da população paulistana, o Mercado Municipal demonstrava-se pequeno e já não suportava a grande demanda. A isso somavam-se problemas higiênicos e sanitários. Assim, surge o projeto de um novo centro de distribuição de mercadorias: CEAGESP – Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo, que é inaugurada em 1969 e passa a ser o principal centro de recebimento e distribuição da produção agrícola do Estado de São Paulo.
Aos poucos, a CEAGESP vai ganhando importância e vai crescendo. Hoje, estabelece uma relação com todo o Brasil e com alguns países da América Latina. Recebe azeitonas do Chile, Argentina e Colombia; distribui verduras para Rondônia; recebe frutas do sertão semi-árido, do sul do país; tomate de Minas Gerais; verduras do interior do Estado; açúcar do oeste paulista e por aí vai. São movimentados “250 mil toneladas de frutas, legumes, verduras, pescados e flores a cada mês” (Portal Ceagesp).
Já o Mercado Municipal, principalmente após a última reforma durante a prefeitura de Marta Suplicy, assumiu um caráter de mercado de luxo e de ponto turístico. Os produtos alí vendidos são produtos exóticos e importados, vendidos a preços exorbitantes. Mas nada disso tira a beleza do passeio agradável ao antigo Mercadão.
Referências:









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