Artigo

Soho Grand Prix II

Dado o grande sucesso do post anterior e a ansiedade dos meus queridos leitores por novidades, fotos e histórias, cá estou para contar a experiência bizarra da última segunda-feira.

O dia começou cedo, às 9h da manhã, sem interrupção para almoço e na correria para deixar tudo impecável para a grande noite. Milhões de cremes e tintas para descolorir e chegar no branco perfeito, escova, chapa, mechas, maquiagem panterosa e muito nervoso. O Ramon (o cabeleireiro) com medo de errar e eu com medo de que ele errasse, afinal, o cabelo é meu.

© ali ckel
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Maquiagem dos olhos

Deixamos o Soho no fim da tarde e fomos ao Via Funchal. No estacionamento coberto, montaram uma enorme área fechada com um toldo e com mesas e espelhos para todos se aprontarem. Eram 50 profissionais e 50 modelos com as roupas, cabelos e maquiagens mais bizarros que já vi. E lá estava eu, fantasiada de caçadora, com a pele morena, cabelo loiríssimo, cheio de grampos prendendo as partes que seriam cortadas no palco ao vivo e a bendita estola de raposa em minhas mãos.

Tudo pronto para entrar, na coxia uma fila enorme de modelos. O apresentador anuncia o começo do campeonato e as modelos começam a entrar. Salta altíssimo, pés doendo no bico fino e pernas tremendo feito vara. Meda! Entramos e, enfim, sentei. Vestiram em mim uma capa e lá estávamos nós, bem na frente, na porção central do palco.

Deram o start e todos tinham 20 minutos para fazer o corte completo. Adrenalina completa. Logo no começo, percebo que Ramon havia cortado o dedo com a tesoura. Mas nada de parar para sentir dor. Logo, trouxeram para ele um band-aid e lá vamos nós, pois o tempo está correndo. Resolvi ser simpática com o juri e dar uma viradinha para o lado, no que ouço um “Aline, não se mexe”. Ops!

© rbp
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Durante o campeonato – as pessoas em pé, que estão nos olhando de frente, são do juri e estão avaliando o corte, cor, textura do cabelo e tudo o mais.

Depois de tudo pronto, mais uma vez o apresentador chama um a um para desfilar para os jurados. É a hora dos tomates, pensei. Poucos os que se simpatizavam com a tal raposa. A roupa era perfeita para se viver numa choupana no meio das montanhas geladas, quente para chuchu. Não bastasse a manga comprida e a saia de volume desesperador, usei ainda um corpete de couro e polainas de pelúcia na perna.

No meio da passarela, saindo já do palco, joguei o bicho do meu colo no chão e saí arrastando a estola. A platéia delira e vai aos berros com a performance. Graças ao bom senhor não tinha ninguém do PETA por lá. Não que tivesse se revelado, pelo menos. Temia levar um banho de tinta na saída do teatro.

© rbp

Pois bem, acabou o concurso e, infelizmente, não nos classificamos. Nossa avaliação foi de que faltou cor no cabelo. Eu ainda acho que a raposinha atrapalhou muito na hora de ganhar simpatia das pessoas. Enfim, lá vamos nós para o próximo, apostar num visual diferente e mais completo, dessa vez…

© ali ckel

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Detalhe do chanel assimétrico e do californiano, as pontas pintadas de cor escura.

A melhor parte foi logo depois do campeonato, apenas com meu jeans e camiseta, mas ainda com cabelo e maquiagem do desfile, ir ao Fifties comprar hamburgers. Me senti a própria drag da noite. Da janelona de vidro da cozinha, todos os funcionários pararam para ficar olhando, tentando entender o que era aquilo.

Comentários (17 comentários)

Ulha, a atriz Susana Vieira gasta só R$ 400,00 por mês para manter o cabelo branco e ela é atriz global. Eu, até agora, continuo gastando os mesmo R$ 10 em shampoo e condicionador. Cada vez tenho mais certeza de ter feito um bom negócio, rs :P

alickel / September 20th, 2007, 3:53 pm / #

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