Artigo

Que tipo de viajante é você?

Por muito tempo hesitei em escrever no Das Haus sobre os preparativos da viagem das próximas férias. Por mais que este seja um blog pessoal, não é do meu interesse transformá-lo em um mero diário. Porém, muitas coisas que vamos descobrindo no percurso ou mesmo dicas genéricas que já temos podem ser úteis a alguém. Assim, inicio a Série Viagens. Espero que aproveitem :-)

Um ponto importante a ser destacado é a nossa filosofia de viagem. Existem viajantes de todo tipo no mundo (estudei bastante disso em geografia do turismo). Talvez nós nos enquadremos muito mais naquele dito “mochileiro” ou “on a shoestring”. Somos estudantes e duros como tal, assim, nossas viagens costumam ser tão baratas quanto possível. Além disso, tem uma questão que vai além do dinheiro, que é a forma de encarar viagens. Sobre isto, elenquei algumas características abaixo. Não signifca que discriminamos outras formas, mas cada um tem o seu perfil de viagem e o nosso é mais ou menos assim:

  • MAIS DO QUE CONHECER O LUGAR, NOS INTERESSA CONHECER AS PESSOAS. Tanto moradores locais, quanto outros viajantes. Nos interessa conhecer outras culturas tanto quanto possível para quem está somente de passagem.
  • AS ATRAÇÕES TURÍSTICAS, DE FORMA GERAL, SÃO MENOS RELEVANTES DO QUE SAIR POR AÍ DESCOBRINDO O QUE TEM PARA FAZER. Quer dizer, se vou para Buenos Aires, não é só para ver o tango, ir a Puerto Madero e pronto. Se rolar fazer qualquer uma dessas coisas, ok, mas se parecer mais bacana andar pelas ruas de San Telmo ou entrar num sebo qualquer para dar uma olhada, conversar com o tiozinho que mora há 40 anos naquela rua etc, talvez curtamos muito mais.
  • PREFERIMOS UM RITMO MAIS TRANQÜILO DE VIAGEM. Não nos agrada nem um pouco sair correndo para passar no maior número possível de países ou lugares. Se gostarmos de uma cidade e nos der vontade de ficar cinco dias nela, assim faremos. Simplesmente para ficar à toa: passear, voltar aos restaurantes de que mais gostamos, sentar na praça para ler, olhar as montanhas e tomar sol. Apenas isso. Até por isso, é  mais difícil conseguirmos viajar com pacotes de agências. Montamos nossas próprias viagens.
  • RESPEITAR OS LUGARES. Sair do seu país é sempre um choque cultural. Este choque é uma delícia, mas pede um pouco de bom senso. Observar. Observar como as pessoas se comportam e agir de acordo. Esta é a parte mais difícil, porque não há uma receita pronta de como se comportar. É uma questão de feeling. Um exemplo batido, mas válido: não vou sair fotografando o interior do restaurante familiar onde estou almoçando porque deu vontade. Preciso antes descobrir como isso é aceito, a hora certa para fazê-lo, o respeito pelas pessoas que alí estão, para depois decidir se cabe naquele ambiente tirar uma fotografia ou não. Ou sei lá, fazer algazarra em restaurantes. Tem momentos em que isso é ok, em outros não. Dependendo do país em que você está, pode cair como um chato inconveniente. Enfim, a questão é saber se comportar e, mais do que isso, respeitar a cultura alheia sem sair por aí “estuprando” os lugares na loucura.

Para estas férias, o destino escolhido foi uma parte da Europa Central – Alemanha, República Tcheca, Áustria – e Holanda. Vamos visitar o casal de amigos que mora em Amsterdam (eles tem um excelente blog de viagem na Europa: Ducs Amsterdam), vamos visitar também o irmão do rbp, que se mudou este ano para Praga. Na Áustria, vamos conhecer as cidades da oma e do opa, nos estados de Salzburg e Tirol. E a Alemanha caiu no meio da história quase sem querer – o melhor vôo que encontramos era via Munique. Quem sou eu para rejeitar uma Hofbräu? :)

Tempo de viagem: 1 mês, entre Janeiro e Fevereiro, no meio da friaca :-)

Sobre os preparativos e dicas, vou postando aos poucos o que for relevante.

E você, qual seu perfil de viajante? Que tipo de viagem curte fazer?

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Comentários (14 comentários)

Muito bom!Vamso aguardar os próximos artigos (mesmo pq eu me sinto parte dessa voagem, o que espero efetivamente ser por ao menos duas semanas :)

Que tipo de viajante sou eu?

Primeiro lugar, respeito é fundamental. Na vida, porque a máxima básica “não seja um cuzão” vale. Acredito piamente que é obrigação não tornar a vida de outros desnecessariamente pior ou mais difícil e, sim, mesmo as pequenas coisas contam.

Em viagem, você sendo peixe fora dágua, a atenção requerida é dobrada.

E eu aprendi que muitas vezes respeito é uma questão de sobrevivência. Literalmente. Acampo desde os 13, 14 anos (sem os pais. Com eles desde que nasci). Sempre fiz trilha onde não havia infra de turismo. Sempre nadei em mar aberto. E meu amigo, se você não respeita a trilha, você morre. Se você não respeita o mar, você morre (em ambos os casos a não ser que você seja um cuzão sortudo, o que as vezes acontece, mas não te deixa menos cuzão). Me formei em viagens em que o senso de respeito era uma questão concreta.

Dois, também sou do tipo viajante devagar. Quero explorar onde vou, e não colecionar figurinhas ou “fotinhas” pra exibir como eu sou cool. Por exemplo, estivemos apenas um fim de semana em Viena, e parte dele gastamos simplesmente bundando na Donauinsel – porque o tempo estava agradável, porque o Danúbio é azul, porque ela foi feita pra isso, porque estávamos ali, e isso bastava. Vimos menos palácios por isso? Provavelmente. Arrependido? Ao contrário, só saudades. E mais o que explorar quando um dia voltarmos.

A propósito, a Carla nem fala nada quando vemos um sebo, daqueles bem poeirentos nos lugares. Ela já sabe que vou entrar, e ela comigo. Vamos fundar um clube de viajantes que voltam com livros de lembrança?

As atrações eu já gosto de ver (a ponto de sum, incluí-las no planejamento). Acho que faz parte, conhecer o básico. Isso nunca deve, entretanto, entrar em conflito com o lance do viajante devagar. Não vou em um lugar colecionar atrações. Vejo as que escolhi, e vejo direito, até ficar satisfeito.

Então, quando fui a Paris, sim, subi a Torre Eiffel, com todos os outros turistas. O que fiz diferente foi ficar lá um tempo absurdo que nenhum turista tradicional gastaria em uma única atração. Subimos numa linda tarde de transisão de primavera pra verão. Na verdade, no primeiro dia de verão oficial. Ficamos lá, e vimos o sol se por, a cidade ficar rosa, escura e finalmente, luminosa. Sentamos e vimos os fogos de artifício, que pela distância estavam silenciosos, saudar o verão que chegava. Sim, subi a Torre, fiquei o quanto quis, sai no penúltimo elevador da noite – e nem por isso sacrifiquei a caminhada da manhã às margens do Sena, ouvindo música pro toda parte nas ruas (primeiro dia de verão é uma festa), e nem por isso sai dela correndo pra ir ver outra coisa.

Mas sim, eu curto ver os cartões postais, e procuro incluí-los nas minhas viagens. Mas desse jeito, sem a neura do turista-colecionador ou turista-orkut (que está tão atarefado correndo atrás do maior número possível de fotos-orkut pra exibir pros amigos que não tem tempo de, tipo, ver o lugar)

Hã, notei que tô escrevendo um post todo aqui, o que nunca é simpático de se fazer no blog dos outros. Depois continuo, com comentários mais apropriadamente dimensionados.

Bjs (e brigado pelo link e elogio)

Daniduc / November 3rd, 2009, 3:44 pm / #

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