Artigo

Punta Arenas e Puerto Natales, Chile – 05/02/2007 – 6° dia

Levantamos às 6h e, sem tomar café, nos entulhamos de roupas e fomos caminhando até a agência. De lá, com uma van, fomos ao barco (que estava mais para bote) navegar pelo Estreito de Magalhães até a Isla Magdalena, uma reserva de pingüins com mais de 150 mil deles em período de reprodução. O passeio de barco é bem legal, apesar de muito frio (9°C), vento e chuva, que intensificam a sensação térmica.

Chegamos com o barco e descemos na Ilha. Pudemos caminhar e ficar muito próximos dos pingüins. Fomos andando até o farol, subimos e de lá tivemos uma bela vista panorâmica do Estreito de Magalhães. Vimos até pingüins em cenas pornôs. Bem, como disse, era período de reprodução. Voltamos ao barco e fomos, então, a Isla Marta ver os leões marinhos. Não saímos do barco, mas chegamos muito perto!

Penguin

Penguins – Isla Magdalena

Sea Lion

Leão marinhos – Isla Marta

Fizemos este passeio pela empresa Solo Expediciones, de Punta Arenas. A passagem foi cara, custou P$ 32.000 por pessoa, mas é um bom passeio. Recomendamos! Só é indispensável a quem pretende fazê-lo: muita roupa de frio e a prova de vento/chuva – calças grossas, botas ou tênis bem fechados, meias grossas, segunda pele calça e blusa, blusas de frio (fleece ou lã), corta-vento com capuz, gorro, luvas, cachecol e pouco medo de tomar chuva e frio. Não tomamos café da manhã no albergue, mas no barco eles servem algumas bolachinhas e café com pisco, hum! O pisco está para o Chile como a caipirinha para o Brasil. É um destilado de uva muito bom.

Strait of Magellan

Bote da Solo Expediciones

Depois do passeio, próximo já do meio dia, corremos a pousada para a árdua tarefa de fazer as mochilas. Com as compras para o trekking, quase não conseguimos guardar tudo. Pouco espírito mochileiro! Terminado isto, fizemos o check-out e deixamos nossas mochilas com a simpática Roxana. Fomos almoçar!

Reservamos este dia para o tão esperado prato de Centolla, um caranguejo enorme, comum nas águas frias. Fomos ao La Luna e… hum! Para diferenciar, eu pedi um Ostiones (aqui chamamos de vieiras) a Parmesana, enquanto o Rodrigo comeu o Chupe de Centolla. Para acompanhar, experimentamos as cervejas locais: Austral, Calle-Calle (rúbio) e Kross Stout. Tudo maravilhoso! No restaurante havia uns mapas colocados nas paredes cheio de bandeirinhas alfinetas com o nome dos visitantes. Claro, fomos colocar a nossa! Como São Paulo estava absolutamente lotada, resolvemos representar o povo de Tapajós e colocar nossas bandeiras em Santarém, bem em cima do encontro dos rios Tapajós e Amazonas. O banheiro do La Luna também era legal, cheio de piadas engraçadas: “Jovem contente vende uma mãe que cozinha bem, é apresentável e serve de despertador”; “Homem invisível procura mulher transparente para fazer coisas nunca vistas antes”; “Troco pastor alemão por um que fale espanhol”; “Troco lindo doberman por uma mão prostética”… 4, 3, 2, 1… há há!

Cervezas

Restaurante La Luna – cervezas Austral e Calle-Calle

Bem satisfeitos, fomos andar na praça. Compramos o mapa do Parque Torres del Paine e bandeiras do Chile para nossas mochilas. Também alguns presentes para los niños do Brasil e pronto. Antes de ir para a pousada, demos uma passadinha no cemitério para conhecer. Muito diferente. Havia uma grande parede com umas espécies de caixinhas, onde, provavelmente, se guardavam as ‘pessoas’ ou as cinzas. Mas todos eles eram muito bem cuidados, com flores, porta-retratos, de uma forma muito alegre, diferente da maioria dos cemitérios.

Já na pousada, chamamos o táxi para nos levar na rodoviária. Falamos um pouco com o taxista que logo perguntou se eu falava espanhol, respondi rindo que não, mas ele disse que falava muito bem (taxista papudo). Depois de lhe dizer que era do Brasil, ele perguntou se o Rodrigo era chileno. Há há! Seis dias no Chile e já estávamos craques em hablar.

Pegamos o ônibus para Puerto Natales às 17h. Depois de uma hora de viagem, ele quebrou na estrada. Tivemos de esperar mais uma hora até chegar o ônibus substituto. Com isso, ao invés de chegarmos às 20h em Puerto Natales, chegaríamos às 21h, ainda à luz do dia.

Por Rodrigo:

A mais ou menos metade da viagem (sem contar o tempo parado), o motorista parou o ônibus e outro rapaz da empresa (o que recebia as passagens) pegou o volante. Até aí, tudo bem. Motorista coxinha, não aguentou 3 horinhas de estrada, mas vai que são normas da empresa, sei lá. Bom, com menos de 10 minutos, o novo motorista saiu da pista! Só entrou no acostamento por uns instantes, mas como a lateral era de pedregulho, todos levamos um susto. Logo em seguida, o ônibus já estava sob controle, mas havia uma comoção entre os passageiros. Uma mulher espalhafatosa abriu a porta da cabine, bradou algumas palavras ininteligíveis para os motoristas e outras de volta aos passageiros. Dali a pouco o ônibus parou de novo e o primeiro motorista voltou ao volante. Quando o barraco parecia ter acabado, um passageiro lá do fundo levantou e disse algo como “Bla bla bla pero que si pero que no cabron”. Uma mulher ao nosso lado explicou que chamaram os “carabeineiros”, porque a empresa colocou um motorista cansado, sem condições de dirigir! Estes chilenos sabem reclamar seus direitos!

Quando estive em um ônibus cujo motorista dormiu no volante, um passageiro ficou a noite toda na cabine conversando para mantê-lo acordado e ficou por isso mesmo.

Depois disso, todos os passageiros ficaram atentíssimos. Em qualquer curva mais fechada ou freada mais brusca, todo mundo erregalava os olhos e ficava fazendo comentários. Parecia filme do Almodóvar!

Chegamos sem mais incidentes a Puerto Natales e o Alejandro, da pousada Alcazar estava na rodoviária há duas horas esperando por nós e mais um outro hóspede que estava no mesmo ônibus. Achei que este hóspede tinha muita cara de brasileiro, e vi que falava espanhol com sotaque, então perguntei de onde era: italiano. Muito simpático, aliás. Deixamos as coisas no hotel e saímos com ele procurando algum lugar para para jantar.

Ele estava com fome e tinha de acordar cedo no dia seguinte para ir ao parque (nós ainda esperaríamos um dia), então, tínhamos pressa para comer. O hotel era um pouco afastado do centro e não achamos as indicações do Alejandro, do hotel. Quando estávamos na calçada, parados, consultando o guia Lonely Planet, uma menina apareceu do nada perguntando se procuramos uma “hospedaje” ou algo para comer e dizendo que poderia nos levar. Fomos todos com um pé atrás, sem saber o que dizer. Ela falava muito e muito rápido. Aos poucos compreendemos que ela não tinha um táxi e nem estava nos oferecendo um serviço, estava só sendo prestativa. Enquanto ia nos guiando, contou que estava aprendendo português! Foi uma situação muito bizarra, mas o restaurante indicado era ótimo. Batemos muito papo com o Anthony, que na verdade era escocês, de pai chileno, mas cresceu na Itália. Comemos ótimas carnes, tomamos nosso primeiro “pisco saur”, um drink batido com pisco e limão, e um excelente vinho :-)

  • Recomendamos:

– Passeio a ‘Las Pinguineiras’ pela Solo Expediciones – Punta Arenas

– Restaurante La Luna – Calle Libertador B.OHiggins 974, Tel. (56) (61) 228555 – Punta Arenas

Hotel Alcazar – Puerto Natales

  • Não recomendamos:

– Viagem de Punta Arenas a Puerto Natales pela empresa de ônibus Bus-Sur

>> próximo: El Living

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Comentários (6 comentários)

Olá Daniel, tudo bem?
Obrigada pela sua visita e comentário.

Quanto a empresa de ônibus, não estou no momento com nosso guia, o Lonely Planet, para dar uma resposta mais completa. Mas eu lembro da Buses Fernández (http://www.busesfernandez.com/index-in.html), que faz Puerto Natales-Punta Arenas, e sei que o serviço deles é bom, pois fomos com ela de Puerto Natales a Ushuaia. Se lembrar de outras empresas, indico depois.
Tenham uma ótima viagem :-)

alickel / January 19th, 2008, 4:05 pm / #

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