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Meu novo vício: salada de rúcula com rabanete

Ao longo desses anos, criamos o hábito de fazer jantares para receber amigos. É infinitamente mais legal, mais saudável e mais barato do que sair para comer. Na maior parte das vezes, o rbp comandando a cozinha (para meu deleite, haha) e eu no help geral: mesa, raladora oficial de queijo etc. Nas últimas vezes, começamos a dividir tarefas para deixar o jantar mais completo: entrada, salada ou consomé, prato principal e sobremesa.  Apesar dos vários anos fazendo esses programas, a pouca freqüência talvez não nos tenha trazido ainda a prática de conseguir preparar tudo rápido e com o mínimo de louça suja possível. Foi então que comecei a me arriscar mais na cozinha para “o público” (eu sempre cozinhei, mas para a casa). A excelência dos pratos do rbp sempre me deram um pouco de timidez. Aliás, era exatamente o que acontecia com o inglês: o sotaque britânico perfeito dele, muitas vezes confundido com nativo (pelos próprios nativos) fazia com que eu ficasse tímida e não falasse nada, absolutamente nada. Até que depois de algumas cervejas, vinhos ou qualquer dose de álcool, comecei a notar minha língua se soltando e as pessoas me compreendendo. Resultado: deixei a timidez de lado e hoje converso (independente do álcool, mas sempre ajuda).

O mais comum é eu ficar com a entrada, salada e sobremesa e o rbp com o prato principal. No último jantar, fizemos as clássicas bruschettas de tomates (que aliás, acho que cheguei finalmente onde queria, ficaram boas pra chuchu), salada de rúcula com rabanete, risotto de mini tomates com filé mignon e, de sobremesa, suflê de goiabada da Carlota (dica do amigo Rubas, agora preciso ir lá, no Carlota, provar o original).

É muito difícil cozinhar para outras pessoas, principalmente, quando você não conhece o paladar dos seus convidados. Ainda que tivéssemos feito a perguntinha básica: o que você não come? É sempre arriscado fazer coisas muito diferentes e que podem cair naquela situação chata do “isso eu não como”. Foi assim que as bruschettas foram de tomates, assim como o risotto. A salada, todavia, resolvi arriscar. Eu amo, mas não é qualquer um que gosta de rúcula, quanto mais de rabanete. Porém, se alguém não comesse a salada, fome não iria passar (haha). Para minha imensa e maior alegria (insira aqui a dancinha do “deu certo”), uma de nossas convidadas comenta no meio do jantar: “eu não gosto muito de rúcula e rabanete, mas essa salada tá tri boa” (ah, elas eram gaúchas). Mais do que as pessoas gostarem do seu prato, a maior alegria de quem cozinha é acertar com ingredientes que não são exatamente os preferidos. Se alguém gosta de cogumelos e você cozinha algo com cogumelos, a chance de acertar é alta (claro, sempre pode dar errado, mas digamos que você tem 70% de chances de sucesso). Mas acertar o prato com ingredientes que não são os preferidos, aaah, isso é a festa de todo cozinheiro.

Depois dessa, já repeti a salada algumas vezes (falei que era meu novo vício?) e testei algumas variações. Acima de tudo, gosto dessa salada porque é simples e de preparo rápido, para não dizer trivial. Acho incrível quando consigo fazer uma receita com o mínimo de ingredientes e deliciosa. É um mito que pratos muito elaborados são os melhores.

Salada de rúcula com rabanete

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Salada de rúcula com rabanete
(pouco adaptado do Jamie Oliver na Itália)

Porção para 1 pessoa

Ingredientes

  • 1 punhado de rúcula
  • 1 punhado pequeno de queijo parmesão ralado
  • 1/2 rabanete pequeno ralado
  • azeite
  • aceto balsâmico
  • sal
  • pimenta do reino moída na hora

Preparo

Depois de lavar e secar as folhas, misture-as com o rabanete ralado e coloque já no prato em que será servido. Tempere com 3 fios de azeite e 1 fio de aceto balsâmico. Complete com sal (não muito, pois o queijo parmesão já é salgado), um pouco de pimenta do reino e rale o queijo por cima. Sirva imediatamente.

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