Artigo

Registros da família Lickel

Neste fim de semana comecei uma busca sobre a família do meu pai e deixei um registro neste blog. Depois, continuei a pesquisar mais coisas, entrei em contato com meu pai e meus tios para resgatar informações e estou agora com um emaranhado de detalhes e recortes prontos para serem encaixados num grande e difícil quebra-cabeça.

Minha avó, mãe de meu pai, Magdalena (Schlitt) Lickel nasceu perto de Pakrac, no vilarejo de Hrastovac, Croácia, em 16 de Março de 1912. Este vilarejo era muito próximo de Kapetanovo, onde nasceu o opa (avô), Hans Johann Lickel, em 21 de Dezembro de 1908, meu pai, Heinrich Helmut Lickel e meus tios, Johann Lickel e Fritz Lickel. Johann é o filho mais velho, nasceu em 1936, e por isso ainda se recorda com muita vitalidade das coisas que aconteceram naquela época. Aliás, é até provável que ele esteja na foto daquele casamento. Me contou que as pessoas de Hrastovac e de Kapetanovo viviam se encontrando nas festas e em outros eventos.

Com relação aos pais da oma eu ainda não estou certa dos nomes. Sei que a mãe era Margaretha e que o pai era Heinrich, mas não sei bem que tinha o sobrenome Schlitt e quem tinha o Trapp. O sobrenome de solteiro da oma era Schlitt, mas meu tio acha que os pais dela não eram casados, assim, as filhas levaram o sobrenome da mãe e os filhos o do pai. Se isso for verdade, a mãe dela era a Margaretha Schlitt e o pai o Trapp.

Acredita-se que a mãe da oma era descendente de alemão e o pai de húngaro, mas isso já são suposições. O fato é que eles eram croatas. A mãe, Margaretha, faleceu e está enterrada em Hrastovac. Ela foi assassinada pelos partisans durante a II Guerra Mundial.

Já os pais do opa eram Ana Kehel Lickel e Hans Johann Lickel. Inclusive, existe a possibilidade de que o primeiro nome do opa não seja Hans, como tenho dito, mas sim apenas Johann. Segundo meu tio, ele se recorda das pessoas chamando ele e o opa por Hans, como uma forma de apelido em homenagem ao pai do opa, então, por isso na foto do casamento dos Toraus o primeiro nome do opa está como Hans, porque era como as pessoas o chamavam lá no vilarejo.

Os demais Lickel da foto são irmãos do meu vô e, portanto, tios e tias do meu pai: Peter Lickel, que se casou com Eva (Arndt) Lickel, Elizabeth Lickel e Konrad Lickel. Fora esses, existiam mais seis irmãos: Ana, Katharina, Eva, Jacob, Michael e Heinrich Lickel. Ao todo são dez filhos. Consegui informações de alguns deles. Meu tio entrou em contato com o filho do Konrad Lickel (que tem o mesmo nome do pai) e ele vive nos Estados Unidos. Já falou com o filho de Peter Lickel, Peter Horst Lickel, que também está nos Estados Unidos. Sobre o Peter pai e sua esposa, encontrei uma nota de falecimento na internet com o nome de todos os filhos e netos. Ele faleceu em 1998 e ela em 2004.

O tio do meu pai, que tem o mesmo nome dele, Heinrich Lickel, teve uma filha na Alemanha, Erika, que hoje é casada com um americano e vive nos Estados Unidos. Ela trocou correspondências com meu tio Johann também. Jacob Lickel veio com meus avós para o Brasil e faleceu aqui. Chegou a se casar na colônia alemã do Paraná, mas não teve filhos.

Meus avós tiveram o primeiro filho em 1936 e depois mais dois na Iugoslávia (na atual parte da Croácia), inclusive meu pai, que nasceu em 1943. Em 1944 deixaram Kapetanovo por conta da perseguição do ditador iugoslavo, Tito. Preciso pesquisar melhor sobre o contexto histórico desta região, mas pelo que entendi, Hitler buscava a unificação dos povos germânicos espalhados pela Alemanha, Áustria e pela região da Iugoslávia, para isso, desejava a anexação dessas terras numa única nação fortificada e limpa de quaisquer outras raças. Josip Broz Tito não queria perder as suas terras iugoslavas (das quais ele era o primeiro ministro e depois se tornou presidente), então, promoveu uma caçada aos povos alemães que viviam naquele território, de modo que todos tiveram de fugir para as “asas” de Hitler. A maior parte foi para o sul da Alemanha ou para a Áutria.

Foi assim que oma e opa colocaram as coisas na carroça de cavalo, pegaram as três crianças de 8, 2 e 1 ano e foram estrada a fora por 6 semanas até chegar na Áustria. Meu tio Johann conta que esta fuga foi muito traumatizante, porque eles praticamente não tinham comida, já que não puderam carregar muita coisa e havia muito bombardeio no meio da estrada. Minha avó, por falta de comida, começou a ficar sem leite para amamentar meu pai. Quando chegaram na Áustria meu pai era quase uma criança sem vida e as pessoas já estavam acendendo velas e orando pelo seu falecimento.

A primeira cidade em que ficaram na Áustria foi Munderfing (o nome completo era Munderfing Darfunder Pran, que significa algo como Munderfing a vila perto de Pran) e era próximo a fronteira com a Iugoslávia. Foi nesta cidade que nasceu a quarta filha do casal, minha tia Margareth Lickel. Durante o tempo em que ficaram na Áustria, por não terem mais suas próprias terras, trabalharam como camponeses nas terras alheias. Depois viveram em Wels, perto de Linz. Por último, viveram um período em Ried.

Por incentivo da “Schweizer Europa-hilfe”, Suíça de Auxílio à Europa, que meu pai chama de “cruz-vermelha da Suíça”, eles vieram para o Brasil ganhando do governo terras próprias. Se estabeleceram na colônia de Entre Rios, Guarapuava-PR. Aqui tiveram o quinto e último filho em 1954, minha tia Helen Lickel, e em 1961 o opa faleceu.

Na internet, diz-se que a colônia é povoada pelos “antigos suábios que habitavam às margens do Danúbio”. Fui pesquisar a respeito e no caso da minha família, acredita-se que por volta de 1600 alguns antepassados desceram pelo rio Danúbio da região onde é a Alemanha e povoaram a região da Iugoslávia, onde nasceram meus avós no começo do século XX. Durante a II Guerra Mundial, com o enfrentamento de Hitler com Tito, tiveram de voltar para suas origens e, depois, vieram para o Brasil. Acredito que o mesmo tenha acontecido às demais famílias que colonizaram Entre Rios e às que foram para os Estados Unidos e Canadá, como os avós da socióloga, Tonya Davidson.

Buscando sobre a cidade croata da Oma, Hrastovac, encontrei o trabalho da Rosina Schmidt. Ela é também autora do livro Hrastovac – Eichendorf Families 1865-1900. No site achei a foto abaixo, de Jakob Trapp, casado com Anna Maria Lotz-Trapp. Meu tio acha, por conta da confusão de sobrenomes dos pais da minha avó, que Jakob é irmão da oma, pois ele se recorda desse nome. Não tenho ainda esta confirmação, mas sem dúvida é parente muito próximo, primo direto da minha avó, talvez. Estou também entrando em contato com a autora do site para trocar informações.

© Anthony Rodot Archives

jakob1913-1988annamarialotz-trapp1917.jpg

Jacob Trapp – 1913 – 1988

No site há também fotos antigas do vilarejo e da cidade hoje:

© Philipp Young Archives

hrastovac_church_built1929.jpg

Igreja de Hrastovac construída em 1929

© Rosina Schmidt Archives

church-motel.jpg

Foto recente de um motel construído no lugar de uma antiga Igreja de Hrastrovac (não a Igreja acima)

Por enquanto, são essas as informações que eu tenho. Mas conforme surgir mais novidades, vou postando no blog.

Comentários (9 comentários)

Legal! Que saga! :D

rbp / July 31st, 2007, 2:06 pm / #

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