Artigo

Geocaching I – tentativa frustrada

E lá fomos nós, com o Blair, desbravar novos caminhos em busca do tesouro.

Geocaching funciona assim: alguém esconde um tesouro. Pode ser uma caixa ou um tupperware com um livro de assinaturas junto a alguma lembrança. Então, anuncia na Internet onde está escondido, com a coordenada geográfica ou UTM da localização exata do cache. Quem se interessa por aquela busca, vai com um GPS caçar o tesouro. Ao achar, assina o livro, pega o presente da caixa, deixa outro novo no lugar e fecha o tesouro novamente para o próximo que quiser buscá-lo. Clássica brincadeira de criança feita por adultos. Foi difícil explicar à minha mãe porque fazíamos um caça ao tesouro num sábado cinza, como ontem.

Escolhemos um cache no Núcleo do Engordador, do Parque Estadual da Cantareira. Conhecíamos parte desta serra, pois minha irmã morara na região. Mas não fazíamos a menor idéia de onde era o tal núcleo.

Núcleo do Engordador

Munidos de Blair, nosso GPS, adentramos nas estradas de terra. O tempo em São Paulo estava nublado, o que dificultava a captação de sinal dos três satélites necessários para dar a localização (GPS trabalha por triangulação de satélites, é bem legal). Resultado: nos perdemos. Fomos parar na rodovia Fernão Dias, culminando numa grande volta, que nos levou para o mesmo lugar de onde partíramos momentos antes. Batizamos o pequeno aparelho de Blair. Porém, ele mostrou-se cada vez mais eficaz. Ou nós que, aos poucos, aprendíamos a usá-lo?

Saímos da rota algumas vezes, mas ele imediatamente redesenhava outro percurso e seguíamos. Alguns blefes foram inevitáveis. Em um deles, Blair nos orientou a entrar à direita. De fato, havia um princípio de estrada, porém, fechada por um enorme portão de ferro. Era uma fazenda. No way! Alteramos a rota mais uma vez, ele acertou o percurso até que, finalmente, chegamos na entrada do Parque.

Iuhuuuuuu, agora faltava pouco para chegarmos no tesouro. Pouco, porém, impossível: Parque fechado em dias de chuva, dizia uma das placas. Droga! Ele estava logo alí, há poucos metros de nós. Amuados como dois cães famintos, ficamos olhando portão a dentro, na tentativa de enxergar qualquer sinal do nosso tesouro. Nada!

Núcleo do Engordador

O passeio, entretanto, foi divertidíssimo. As estradas na Cantareira são deliciosas e os morros estavam lindos, encobertos por pequenos feixes de nuvens brancas. Na entrada do Parque, fomos bem recebidos não apenas pelo guarda-florestal, como também pelo pequeno tucano preto, de pescoço vermelho e bico branco.

Assim que abrir o tempo, voltaremos a caçar este cache.